Enchentes, tragédias, falta de moradias dignas e a imprensa hipócrita…

Sabe qual é a cidade que tem o maior projeto habitacional do Brasil?
A cidade de São Paulo.
Estimada em valores superiores a R$ 1 bilhão, a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada (OUCAE), aprovada em 2001 (lei municipal 13260), determina “Implantação de unidades de Habitação de Interesse Social – HIS, melhoramentos e reurbanização, assegurando-se o reassentamento definitivo das famílias atingidas pelas obras” (artigo 3º, inciso 3 da lei municipal 13260/2001).
Para quem não sabe, a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada veio para completar a malfadada gestão do ex-prefeito Paulo Maluf, que gastou mais de R$ 800 milhões, e só construiu metade da avenida Água Espraiada, e não fez o reassentamento das famílias que moravam (e moram) ao longo do córrego Água Espraiada. Existem vários processos judiciais com denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público para o exterior…

O “X” é a principal marca da exclusão social em S. Paulo.
São cerca de 20 mil famílias morando em condições subumanas na região desta Operação Urbana, principalmente na região do Jabaquara e da Americanópolis.
Desde 2001, a prefeitura já arrecadou mais de R$ 750 milhões coma vendas de CEPCs (Certificados de Potencial de Aumento de Construção).
Ao longo do córrego Água Espraiada e de algumas favelas, a prefeitura já fez o cadastramento de cerca de 10 mil famílias.
Com habitações populares a um custo aproximado de R$ 60 mil por unidade, já seria possível ter construído umas 10 mil moradias populares a um custo de R$ 600 milhões!
Sabe quantas moradias a prefeitura do Município de São Paulo construiu na região da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada nestes quase 10 anos de vigência da lei 13260?
Zero! Nada. Nenhuma moradia popular foi construída nestes quase 10 anos de Operação Urbana Consorciada Água Espraiada…
E onde foi parar o dinheiro?
Sabe aquela famosa ponte estaiada, em formato de “X”, sobre o Rio Pinheiros?
Pois bem. Esta ponte foi proposta a um custo de R$ 70 milhões… Foi “licitada” a um custo de R$ 140 milhões… e foi “entregue” após consumir mais de R$ 300 milhões de reais… Tudo isso aconteceu no governo da petista Marta Suplicy… O governo tucano do José Serra só “inaugurou a ponte”…

E o que a imprensa tem a ver com isso?
Por que a Rede Globo e o jornal Folha de São Paulo escondem da população o que de fato está ocorrendo com a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada?
Por que não está sendo divulgado que foi feito uma “licitação” ilegal? Mudaram o traçado da obra e criaram um verdadeiro “filet mignon” para as construtoras: do nada, apareceu um túnel de 3 quilômetros, a um custo de quase R$ 3 bilhões… e lotearam as obras… são as mesmas empresas que construíram o Rodoanel… já tem gente dizendo que isso tem o dedo do Paulo Preto…
Depois de diversas denúncias de lideranças comunitárias, que provocaram o Ministério Público e a Defensoria Pública, o Tribunal de Contas do Município listou 77 irregularidades e determinou a suspensão da “licitação”… mas ninguém foi preso e ninguém devolveu os milhões de reais já gastos com as várias versões dos projetos… tudo isso ao arrepio da lei e com a omissão do Conselho Gestor da OUCAE…
A imprensa hipócrita vive da divulgação de tragédias, principalmente dos recorrentes incêndios que acontecem nas favelas da região… mas quase nunca relaciona a omissão dos prefeitos de S. Paulo em relação a execução da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada…
Os partidos políticos estão com os rabos presos… uma organização ligada às imobiliárias financiou mais de 20 vereadores nas últimas eleições gerais da Capital paulista… as construtoras destinam milhões de reais no “apoio” tanto de candidatos governistas quanto oposicionistas…
A imprensa, que deveria noticiar os fatos, parece que também está com o rabo preso nas verbas publicitárias dos governantes, das construtoras e das imobiliárias…
Será que o fato da prefeitura ter mudado o nome da avenida Água Espraiada para Av. Jornalista Roberto Marinho foi um “cala-boca” para a Rede Globo?
Será que o fato da prefeitura ter denominado a ponte estaiada de Jornalista Otávio Frias foi um “cala-boca” para o jornal Folha de São Paulo?

Um roteiro para a imprensa republicana.
1º) Ler todas as atas das reuniões do Conselho Gestor da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada. Ganha uma estrelinha dourada quem identificar onde é que está a autorização para a construção da ponte de R$ 300 milhões!
2º) Descobrir qual é a empresa que está faturando milhões de reais (sem licitação) para fazer (e refazer) os projetos da OUCAE.
3º) Descobrir e publicar o nome do espertalhão que mudou o traçado da obra, transformando um túnel de 400 metros em um túnel de 4 quilômetros (depois reduzido para 2,7km).
4º) Descobrir e publicar qual o número de imóveis que serão desapropriados. Estimativas falam em 1 a 2 mil imóveis. Como vão ser pagas as indenizações?
5º) Descobrir o motivo real da prefeitura querer desapropriar a faixa de 15 metros de cada lado do córrego água espraiada. Embora esta área seja “particular”, a legislação federal já proíbe qualquer tipo de construção nesta área. Quem é que vai ganhar uma dinheirama na moleza?
6º) Publicar o modo como está sendo feito o cadastramento dos moradores das favelas e cortiços. A prefeitura está tentando jogar estes moradores contra os proprietários.
7º) Ouvir o sr. Gerôncio, um dos líderes da Favela do jardim Edite (fica ao pé da ponte estaiada). Deveria publicar todo o tipo de pressão, chantagens e ameaças que estão sofrendo os moradores para abandonarem o local. Tem até um vereador que já disse que ali não é lugar para pobre morar…
8º) Descobrir e publicar o motivo pelos quais alguns agentes da prefeitura estão proibidos de entrar em determinadas favelas da região. Dizem até que tem uma funcionária que já veio corrida da “favela Heliópolis”…
9º) Cobrar uma posição do Ministério Público e da Defensria Pública sobre a omissão das autoridades na correta execução da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada.
10º) Descobrir e publicar o motivo pelo qual ainda não foi construída uma única moradia popular na região.

Toda vez que alguém vir a imagem da ponte estaiada, principalmente como plano de fundo dos telejornais da TV Globo, lembrem-se que este “X” foi construído com o dinheiro que deveria ser usado para moradias populares de 20 mil famílias pobres que moram nas favelas e cortiços da zona sul da Cidade de São Paulo.

São Paulo, 17 de janeiro de 2011.
Mauro Alves da Silva – morador do Jabaquara há mais de 40 anos.
https://blogdomaurosilva.wordpress.com/
(é secretário Geral do Consabeja – Jabaquara – conselho coordenador das Associações Amigos de Bairros do Jabaquara e Adjacências – http://consabeja.wordpress.com/).

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