Grupos que ocuparam Câmara queriam lembrar que existe ‘máfia e cartel’ nos ônibus

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Grupos que ocuparam Câmara queriam lembrar que existe ‘máfia e cartel’ nos ônibus

Apesar de conseguir audiência pública, ação do PSTU, Anel e CSP-Conlutas após o término da marcha contra corrupção no Metrô e CPTM é criticada por entidades que participaram dos protestos
por Tadeu Breda e Rodrigo Gomes, da RBA publicado 15/08/2013 18:39

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camra-repressao-ninja.jpgManifestante é detido pela PM após quebra-quebra em frente à Câmara de São Paulo

São Paulo – Os manifestantes que se concentraram ontem (14) por volta das 19h em frente à Câmara dos Vereadores de São Paulo queriam lembrar que a “máfia dos transportes” continua instalada no sistema de ônibus em operação na cidade – e não apenas no Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), como denunciou o protesto que marchara pelo centro da cidade durante toda a tarde.

“Tivemos um dia de luta contra a corrupção no governo do PSDB, que veio à tona com as denúncias do cartel, mas nosso intuito é demarcar que essa corrupção está presente não só no estado, mas também na cidade”, diz Ariele Tavares Moreira, membro da Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), entidade que encabeçou a tentativa de ocupação do Legislativo paulistano juntamente com PSTU e Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas). “A máfia dos transportes que domina Metrô e CPTM também está presentes nos ônibus de São Paulo.”

Com uso de spray de pimenta, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, homens da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) conseguiram evitar a entrada da maioria dos manifestantes que tentaram furar o bloqueio e ocupar o prédio. Três pessoas foram presas por depredação e cinco PMs se machucaram. Entre os jovens, também houve feridos. Mas um grupo de aproximadamente 50 pessoas conseguiu passar pelos policiais e chegar ao plenário, onde bateram boca com o presidente da Câmara, José Américo (PT). Após três horas de ocupação, os manifestantes foram recebidos pelo vereador Ricardo Young (PPS).

Audiência

“Fizemos isso também para pedir que se abra um debate acerca do passe livre estudantil em São Paulo, que, ao contrário da tarifa zero para todos os cidadãos, que precisa de uma mudança estrutural no sistema de transportes, pode ser aplicada imediatamente se houver vontade política do governo”, continua Ariele. “Essa é uma necessidade para os jovens da periferia, que muitas vezes não têm dinheiro para ir à escola. Num cenário em que vemos corrupção de todos os lados e o caos cotidiano no transporte público, quisemos chamar a atenção.”

A militante da Anel afirma que a audiência pública que os manifestantes conseguiram marcar com os vereadores para a próxima quinta-feira (22), para discutir o tema do passe livre estudantil dentro da CPI dos Transportes que tem lugar na Casa, foi uma pequena vitória da ocupação. “Estamos chamando todas as entidades que estiveram conosco nas ruas para participar e tentar avançar nessas pautas”, explica, afirmando que o Sindicato dos Metroviários de São Paulo já confirmou presença na reunião. “Enfrentar a máfia dos transportes não é uma luta qualquer. Deve haver unidade.”

“Acho ótimo fazer audiência pública”, afirmou o vereador Ricardo Young, criticando a postura “intimidatória” de alguns manifestantes. “A sociedade precisa se apropriar dessa Câmara como espaço de disputa política e encaminhamento de reivindicações. O prefeito não resolve tudo. Vir aqui se manifestar e pressionar vereador é tarefa dos movimentos sociais. Quando há pressão popular, todo mundo aqui funciona de maneira diferente. Só não pode resvalar para a violência, porque tudo o que eles querem é botar nos manifestantes a pecha de anarquistas violentos.”

Os metroviários não participaram da ação na frente da Câmara dos Vereadores, mas tampouco condenaram a ocupação do prédio. Pelo contrário, Altino de Melo Prazeres, presidente do sindicato, avalia que se tratou de uma atitude condizente com as bandeiras dos movimentos sociais. “Os companheiros têm o direito de fazer a manifestação que acharem melhor”, argumenta. “Todas as lutas pela melhoria do transporte, passe livre, educação e saúde, são reivindicações justas. Estão dentro do mesmo campo político em que nos encontramos.”

Críticas

Procurado pela reportagem, o Movimento Passe Livre (MPL) preferiu se abster de qualquer declaração sobre a ação da Anel, PSTU e CSP-Conlutas na Câmara dos Vereadores. Porém, pelas redes sociais, membros da organização – e de outros grupos que engrossaram o protesto de ontem – criticaram o que chamaram de “oportunismo” e tentativa dessas entidades de quererem “tomar a direção” da mobilização.

Na internet também é possível ler crítica à contradição de grupos que desprezam os Black Blocs por suas ações individuais e isoladas, como o PSTU, “mas que acabam fazendo o mesmo quando convém”. Os movimentos acreditam que os grupos que empreenderam a ocupação já foram para a manifestação com esse intuito, levando inclusive faixas prontas com os dizeres “Câmara ocupada”.

“Está acontecendo uma jornada de ocupações de câmaras de vereadores em várias capitais do país: Belém, Rio de Janeiro, Maceió, Campinas (SP), Belo Horizonte”, justifica Ariele, da Anel. “E São Paulo, que teve os maiores atos contra o aumento, em junho, não poderia ficar atrás. Por isso é que nos motivamos a organizar a ocupação ontem.”

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